A chegada
Posted by Reticentemar 3
Apesar de não ter parâmetro, eu arrisco afirmar que a Air France é uma boa companhia para quem quer viajar para Paris. O vôo, saindo de Guarulhos-SP às 17h10, não possui escalas ou conexões e dura cerca de 12h.
As refeições – jantar e café da manhã – são bem servidas, incluindo as entradas, o prato principal e a sobremesa. Sem falar do vinho e champanhe franceses e dos digestivos (conhaque e licor). A única coisa que não esperava é que as poltronas tivessem pouco espaço entre elas, assim como acontece nos vôos nacionais. Durante a refeição, é preciso fazer um esforço e ter muita criatividade – além de noções de logística – para dar conta de tudo aquilo sem esbarrar em nada. Também, o que eu queria? O destino pode ser Paris, mas a classe continua sendo econômica.
O vôo chegou no aeroporto Charles de Gaulle às 08h40 (04h40 no Brasil). O sol parecia tentar disfarçar timidamente os 5 graus marcados pelo termômetro. Por falar em aeroporto, o que é aquilo? Imensidão. Depois de andar muito, é preciso pegar uma espécie de metrô para chegar até o setor específico de bagagens (sim, tem vários). Como dividimos as esteiras com dois outros vôos, as bagagens demoram bastante.
Cabe destacar que o controle imigratório se realizou através de 3 etapas. A primeira ocorreu logo na saída do avião. Dois ou três funcionários analisaram rapidamente os passaportes com lentes de aumento para, imagino eu, detectar algum tipo de falsificação. Isso durou segundos. A segunda etapa, logo antes do setor de bagagem, consistia em passar por um guichê especial e responder a pergunta típica “Qu’est-ce que vous venez faire ici?”. Não tive problemas, acredito que por conta do visto de estudante. A mulher foi bem simpática, perguntando qual era a minha área de estudos e desejando sorte.
Por fim, após pegar as bagagens, foi preciso passar por alguns policiais que perguntaram educadamente se podiam ver meu passaporte. Ele também perguntou o que vim fazer aqui, devolvendo meu documento com votos de boa estadia.
Uma ressalva: nenhuma simpatia foi distribuída a um colega de vôo que veio à Paris passear. Durante a última etapa, por exemplo, fizeram quase um interrogatório com ele. Não sei se isso se deve a ausência de visto ou o fato dele só se comunicar em inglês. Penso nessa última hipótese porque, já na saída, ele ganhou de brinde muita antipatia e respostas secas ao perguntar onde tinha orelhão. Isso fez com que ele esbravejasse algo do tipo: “Esse povo parece que ainda não se deu conta que a belle époque já acabou faz tempo. Quando eles vão se tocar disso?” Discordei, mas permaneci calado.
Na saída do aeroporto eu havia planejado tomar um táxi – afinal de contas estava com uma mala com mais de 30kg e uma mochila de 12kg nas costas. No entanto, incentivado por esse colega de vôo que iria se encontrar com uns parentes, acabei tomando o metrô, o chamado RER (Réseau Express Régional). A economia foi quase de 40,00 euros (o táxi não sairia por menos de €50,00 e o ticket me custou €8,50).
Se não me engano, passei por 17 estações até chegar à estação da Cité Universitaire. Uma só reta, sem baldeações. Isso também contribuiu para a minha decisão de tomar o RER no lugar do táxi.
Um fato merece destaque: quando saí do metrô dei de cara com a escada rolante quebrada e um mundo de degraus ao lado dela. Olhei para a mala e, por um breve momento, a ouvi sussurrando “Sifu…” Resolvi iniciar logo a penitência e fui subindo degrau por degrau. Lá pela metade do martírio, ao soltar a mala de uma altura maior, ouvi um estalo. Era a roda…. ou melhor, já era a roda. Tentei de todo jeito arrastar a mala com uma roda só, mas ficou cada vez mais difícil. Não teve jeito, tive que percorrer mais ou menos 1km entre o carregar e o arrastar. Se eu tava cansado depois do vôo, imagine ao chegar esbaforido na Maison Du Brésil.
Por falar em maison, a Cité Universitaire é impressionante! A entrada principal é bastante imponente e a arquitetura das “maisons” é algo indescritível. Quem conhece a Europa deve estar acostumado a esse tipo de construção, mas eu não. Bem… esse é um assunto para outro post, com direito a fotos.
2 comments
Comentário by Livia Ferreira on 3 de março de 2010 at 23:56
Engraçado isso, né? Tanto no voo quanto na chegada a Paris você se deparou com todo o glamour e com todas as complicações de uma cidade cosmopolita – representados pela falta de espaço nas poltronas e pelo probleminha da roda. Ah, a roda. Nas historinhas do Piteco ela era sempre o marco da passagem do tempo das cavernas para a modernidade, e acredito que agora vc saiba o porquê..hehehe.
Só me conta uma coisa, sobre a parte não-glamour: é verdade que há ratos no metrô de Paris??
Comentário by B.O.B. on 4 de março de 2010 at 0:15
Pô, emocionante. Preciso passar por isso também