Archive for março, 2010

TV online

Algo que está me fazendo falta é assistir a um pouco de TV francesa. Sei que isso ajudará  a me habituar com a língua, além de me deixar por dentro dos acontecimentos por aqui. Tendo isso em mente, fiquei sabendo que uma brasileira estava vendendo o aparelho dela por apenas 15 euros (provavelmente porque deve estar retornando ao Brasil). Entrei em contato com ela por email, mas já era tarde demais. A TV havia sido vendida.

Em busca de uma nova solução, tropecei no software Megacubo. Trata-se de um programa que permite assistir várias emissoras do mundo através da internet. Como conexão aqui é boa, o galho está sendo muito bem quebrado. Há  por exemplo, um canal chamado “France 24″ que transmite notícias o dia inteiro. Infelizmente ainda não consegui ter acesso a TV 5, mas no site deles tem muitos videos disponibilizados.

De qualquer maneira, hoje começaram as minhas atividades na Paris VII: orientações, aulas e seminários. É uma ótima maneira de treinar o ouvido…

… falando em atividades, vou tirar a semana para visitar algumas bibliotecas.

O susto do cartão de embarque

Ao chegar no exterior, o pesquisador necessita digitalizar e enviar a Capes alguns documentos para dar continuidade ao processo de bolsa (inclusive para o pagamento da primeira mensalidade no exterior  ser liberado). Dentre os documentos, estão a cópia do passaporte (com o carimbo da chegada no país), o comprovante de abertura da conta bancária, os dados residenciais, o  comprovante de contratação do seguro-saúde (juntamente com o recibo do pagamento) e… o canhoto do cartão de embarque. Por que diabos eu iria guardar aquele pequeno pedaço de papel? Confesso que essa informação passou batida, descartei totalmente da memória…

O fato é que, ao comunicar via e-mail a perda do cartão à secretária da Capes responsável pelo meu processo, ela foi enfática: “O cartão de embarque é absolutamente necessário. Se você não o tiver mais, será necessário obter uma declaração de embarque na Cia aérea”.

Lá  fui eu no sábado pela manhã atrás de uma loja da Air France para pedir a tal declaração.  Enquanto eu não resolvesse essa situação, eu iria ficar sem receber.  Desespero! Por sorte lembrei que, durante a ida a corretora de saúde, eu havia visto de longe uma filial dessa companhia aérea francesa. Após explicar toda a situação, a atendente mussitou algo do tipo “desconheço esse tipo de declaração, mas…” Bem, as reticências significam que ela imprimiu um tipo de documento interno que me serviu de comprovante. Nele estava escrito que eu havia viajado no vôo tal, hora tal, de São Paulo a Paris.

Foi a sorte.

… nem preciso dizer que agora estou guardando todo tipo de comprovante, recibo, documento, ticket de metrô, garrafa de água mineral, etc, etc, etc…

A burocracia da primeira semana

Desde que cheguei por aqui, estou aproveitando essa primeira semana para resolver as necessidades burocráticas. São muitas.

A primeira coisa a fazer é abrir logo a conta no banco para reduzir o tempo de espera do pagamento da Capes. Segundo eles, o prazo para o primeiro pagamento é de pelo menos 15 dias úteis “a partir da data do ofício de pagamento constante no extrato, disponível no SAC-Exterior”. Isso tá com cara que vai passar um mês… É bom sempre acompanhar o extrato no sistema da Capes.

Para abrir a conta é preciso um comprovante de residência e o documento intitulado “A qui de doit”, confirmando que você é um bolsista do governo brasileiro e cuja bolsa é de  “tantos euros por mês”. Esse último documento é fornecido pela Capes, já em francês, quando você ainda está no Brasil. Quanto ao comprovante de residência, foi a primeira coisa que a Maison du Brésil me entregou (juntamente com as regras de funcionamento da casa). Ah! Não esqueça de ter sempre em mãos algumas fotos 3,5 x 4,5 (além das 3×4). Caso não consiga tirar no Brasil, você pode fazer isso em uma das cabines automáticas espalhadas pela cidade (já vi na estação de metrô Gare du Nord e aqui mesmo na Cité). Basta colocar 4 euros e seguir as instruções. Atenção: as máquinas, apesar de aceitarem notas de 5 euros, não fornecem troco! Eu caí nessa.

Eu acabei abrindo a conta no banco BNP Paribas, cuja agência é dentro da própria Cité Universitaire. O Paribas cobra uma taxa de 7,50 euros por mês de serviços. Só depois fiquei sabendo que existem outros bancos com taxas menores, tais como o Banque Postale (uma espécie de instituição pública filiada aos correios) e o LCL (Le Crédit Lyonnais).  No entanto, parece que o processo de abertura de conta, de emissão de cheque e cartão demora um pouco mais.

Depois que abri a conta no banco, fui tentar resolver logo a tão desejada “carte de séjour”. Trata-se de um tipo de identidade para estrangeiros que autoriza a residir na França durante o período do visto. Isso é importante porque, além de mostrar que você está quite com a imigração, lhe dá direito a alguns benefícios (inclusive pleitear uma ajuda de custo ao governo francês).  Pelo que entendi até agora, não passa de precioso selo ou carimbo no passaporte…

Infelizmente ontem eu não consegui resolver a carte de séjour. Depois de rodar bastante de metrô (até a última estação da linha 4, a Porte de Clignant Court), apresentei-me no guichê com a documentação e, bastante simpática, a atendente pediu para que eu voltasse na segunda pela manhã “que seria melhor para mim”. Fazer o quê?. Pensando bem… talvez tenha sido até melhor porque, na ocasião, eu estava sem o seguro de saúde e desconfio que iriam pedi-lo.

O seguro de saúde eu fiz hoje através da instituição PEE (Prevoyance Etudiants Etrangers), uma das mais baratas.  Por seis meses, o seguro me custou 94,00 euros. Eu sei que existem outras instituições particulares, além da CMU (Couverture Maladie Universelle) do governo. Para a última, no entanto, é preciso que você ateste sua renda do ano anterior. Caso ela ultrapasse um valor específico, o seguro não cobre tudo. Vale destacar que, ao procurar o setor de atendimento aos estudantes aqui da Cité, eles me indicaram duas opções: a privada PEE e a CMU.

O escritório da PEE fica na Thibaud, 1 (próximo ao metrô Alésia). É bem perto aqui da Cité… gastei mais ou menos 50 minutos de caminhada, contando a ida e a volta. Sem contar que vale a pena atravessar o belo Parc Montsouris, um dos maiores de Paris.

A chegada

Apesar de não ter parâmetro, eu arrisco afirmar que a Air France é uma boa companhia para quem quer viajar para Paris. O vôo, saindo de Guarulhos-SP às 17h10, não possui escalas ou conexões e dura cerca de 12h.

As refeições – jantar e café da manhã –  são bem servidas, incluindo as entradas, o prato principal e a sobremesa. Sem falar do vinho e champanhe franceses e dos digestivos (conhaque e licor).  A única coisa que não esperava é que as poltronas tivessem pouco espaço entre elas, assim como acontece nos vôos nacionais. Durante a refeição, é preciso fazer um esforço e ter muita criatividade – além de  noções de logística – para dar conta de tudo aquilo sem esbarrar em nada. Também, o que eu queria? O destino pode ser Paris, mas a classe continua sendo econômica.

O vôo chegou no aeroporto Charles de Gaulle às 08h40 (04h40 no Brasil). O sol parecia tentar disfarçar timidamente os 5 graus marcados pelo termômetro. Por falar em aeroporto, o que é aquilo? Imensidão. Depois de andar muito, é preciso pegar uma espécie de metrô para chegar até o setor específico de bagagens (sim, tem vários). Como dividimos as esteiras com dois outros vôos, as bagagens demoram bastante.

Cabe destacar que o controle imigratório se realizou através de 3 etapas. A primeira ocorreu logo na saída do avião. Dois ou três funcionários analisaram rapidamente os passaportes com lentes de aumento para, imagino eu, detectar algum tipo de falsificação. Isso durou segundos. A segunda etapa, logo antes do setor de bagagem, consistia em passar por um guichê especial e responder a pergunta típica “Qu’est-ce que vous venez faire ici?”. Não tive problemas, acredito que por conta do visto de estudante. A mulher foi bem simpática, perguntando qual era a minha área de estudos e desejando sorte.

Por fim, após pegar as bagagens, foi preciso passar por alguns policiais que perguntaram educadamente se podiam ver meu passaporte. Ele também perguntou o que vim fazer aqui, devolvendo meu documento com votos de boa estadia.

Uma ressalva: nenhuma simpatia foi distribuída a um colega de vôo que veio à Paris passear. Durante a última etapa, por exemplo, fizeram quase um interrogatório com ele.  Não sei se isso se deve a ausência de visto ou o fato dele só se comunicar em inglês.  Penso nessa última hipótese porque, já na saída, ele ganhou de brinde muita antipatia e respostas secas ao perguntar onde tinha orelhão. Isso fez com que ele esbravejasse algo do tipo: “Esse povo parece que ainda não se deu conta que a belle époque já acabou faz tempo. Quando eles vão se tocar disso?” Discordei, mas permaneci calado.

Na saída do aeroporto eu havia planejado tomar um táxi – afinal de contas estava com uma mala com mais de 30kg e uma mochila de 12kg nas costas. No entanto, incentivado por esse colega de vôo que iria se encontrar com uns parentes,  acabei tomando o metrô, o chamado RER (Réseau Express Régional). A economia foi quase de 40,00 euros (o táxi não sairia por menos de €50,00 e o ticket me custou €8,50).

Se não me engano, passei por 17 estações até chegar à estação da Cité Universitaire. Uma só reta, sem baldeações. Isso também contribuiu para a minha decisão de tomar o RER no lugar do táxi.

Um fato merece destaque: quando saí do metrô dei de cara com a escada rolante quebrada e um mundo de degraus ao lado dela. Olhei para a mala e, por um breve momento, a ouvi sussurrando “Sifu…”  Resolvi iniciar logo a penitência e fui subindo degrau por degrau. Lá pela metade do martírio, ao soltar a mala de uma altura maior, ouvi um estalo. Era a roda…. ou melhor, já era a roda. Tentei de todo jeito arrastar a mala com uma roda só, mas ficou cada vez mais difícil. Não teve jeito, tive que percorrer mais ou menos 1km entre o carregar e o arrastar. Se eu tava cansado depois do vôo, imagine ao chegar esbaforido na Maison Du Brésil.

Por falar em maison, a Cité Universitaire é impressionante! A entrada principal é bastante imponente e a arquitetura das “maisons” é algo indescritível. Quem conhece a Europa deve estar acostumado a esse tipo de construção, mas eu não. Bem… esse é um assunto para outro post, com direito a fotos.

Último post antes da viagem…

Nesse momento me encontro no aeroporto de Guarulhos-SP esperando o vôo para Paris. Chuva, muita chuva! Pelo visto, não é só por aqui… acabei de saber que houve uma tempestade na França que deixou um rastro de destruição por onde passou.

Parece que o aeroporto Charles de Gaulle cancelou vários vôos que chegariam no domingo. Ainda bem que só chego por lá amanhã pela manhã… até lá, espero que as coisas melhorem.