Archive for janeiro, 2010

Visto para a França

Falta 1 mês para embarcar para o estágio em Paris. Já está quase tudo certo, só falta a última etapa do visto no consulado francês em São Paulo, marcada para quarta-feira dia 03 de janeiro. Menciono como sendo última etapa porque inicialmente é preciso dar entrada em um  procedimento pré-consular, através do  CampusFrance. Esse procedimento consiste basicamente (o que no fundo não há nada de básico) em criar uma conta no site, preencher um formulário relativamente extenso, enviar alguns documentos e pagar uma taxa de R$ 315,00. Como sou doutorando do programa sanduíche da Capes, fui isento da entrevista no CampusFrance, mas não no consulado. Além de me faltar paciência nesse momento para relatar todo o procedimento pré-consular, existem guias de orientação bastante detalhados disponíveis no site.

De qualquer maneira, espero sair do consulado na quarta-feira com tudo encaminhado para pegar o visto logo, até porque a passagem aérea só é emitida pela Capes após o visto em mãos. Confesso que, apesar de necessário, esse excesso de burocracia cansa bastante. A única dica que posso deixar nesse post é ficar atento a todas as etapas e, principalmente, à documentação exigida em cada uma delas. Se possível, transforme tudo em .pdf, até a sua alma…

Versando sobre o verso

Um Guaiamum no corredor

Guaiamum

Outro dia encontrei uma figurinha igual a essa aí no corredor de casa. Trata-se de um guaiamum ou guaiá-m-u em tupi, “caranguejo preto ou azulado”.  O gosto de sua carne, a meu ver, é uma espécie de carne de caranguejo defumado. Não é à toa que uma corda de guaiamum é bem mais cara que uma corda de caranguejo.

Ao assistir  a cena inusitada, minha esposa soltou um carioca e sonoro “caraaaaca!”.  Se sentindo acoado, o coitado do guaiamum logo se apressou em ir embora, não sem antes erguer suas patas como quem diz:  “se eu pego seu dedo…” Pena que a nossa máquina fotográfica está com problema.

PDEE: fase de implementação

“Sujeito reticente ou insistente?”, vocês me perguntam. “Ora, como poderia ser diferente?”, eu pergunto. Ontem mesmo recebi uma ligação da universidade me informando sobre a chegada da documentação da Capes para a fase “implementação” ou “homologação final”. Consiste basicamente em um termo de compromisso onde o estudante se compromete a cumprir as suas obrigações, inclusive voltando para o Brasil.

Esse documento deve ser assinado, digitalizado e enviado juntamente com os dados bancários do bolsista no Brasil (para depósito do auxílio deslocamento, instalação e seguro saúde) e o comprovante do exame de proficiência em língua estrangeira com pontuação mínima exigida (para a língua francesa, o mínimo é 70%).

Até o final da semana eu envio os documentos e dou entrada no processo de visto… Ah! Não posso esquecer de mencionar que segunda-feira, dia 04/01, saiu um novo edital referente as bolsas no exterior. Não fiz uma análise aprofundada, mas sei que o valor das bolsas aumentaram. Para a França, por exemplo, a mensalidade passou de 1100 euros para 1300. Também criaram um “auxílio deslocamento” que passa a ser administrado pelo próprio bolsista para a aquisição da passagem. Vale a pena dar uma conferida no recente edital para não ter grandes surpresas…

Doutorado Sanduíche (PDEE)

Toda essa história do estágio de doutorado no exterior, ou ,como a Capes denomina oficialmente, PDEE (Programa de Doutorado com Estágio no Exterior), começou quando ingressei no doutorado em Psicologia no Instituto de Psicologia da USP, em 2008. Como se sabe, esse programa de bolsa oferecido pela Capes visa beneficiar os doutorandos dos programas com notas acima de 4 e que têm a disponibilidade de passar entre 4 e 12 meses fazendo pesquisa fora do Brasil.

No meu caso, como já mencionei no post anterior, passarei 5 meses em Paris estudando na Université Paris VII – Denis Diderot. Aí vai uma primeira dica para quem pretende conseguir um estágio no exterior (um pouco óbvia, mas vale o registro): a escolha do destino depende dos contatos e parcerias teóricas que seu orientador possui. Portanto, se o seu programa de doutorado é contemplado com esse tipo de incentivo da Capes, é interessante conversar antes com o seu orientador acerca dos possíveis pesquisadores no exterior que possam acolher sua pesquisa na respectiva universidade onde eles estão alocados.

(…) pausa para uma cerveja ao som de “Je l’aime a Mourir“, de Francis Cabrel, um cantor francês que descobri durante as minhas intensas e desesperadas tentativas de me habituar com a oralidade francesa (…)

Desde o início do doutorado ficou clara a possibilidade de realizar esse estágio na França. A ideia foi se materializando mais ainda com a chegada da professora francesa na USP para uma conferência. Desse modo, os laços teóricos entre ela e meu orientador se estreitaram e, consequentemente, o estágio já era mencionado como sendo uma etapa certa. Apesar da inevitável empolgação com todos aqueles planos, havia muita coisa a ser transposta. Dentre elas, a principal: a língua francesa. Sendo mais específico ainda: compreender e me expressar em francês! Eu já tinha cursado 1 ano de Aliança Francesa e mais um pouco de aula particular (com foco no vocabulário da psicologia  e interpretação textual) com o objetivo de passar no processo seletivo do doutorado. Confesso que até me entendo com as palavras escritas, mas já com a bendita oralidade… bem, esse é conteúdo para um outro comentário: agora vou me dedicar um pouco mais à cerveja e a Francis Cabrel.

Cá está mais uma vez esse insistente psicólogo que vos escreve tentando manter um blog no ar. Sim, sim, eu sei que o meu problema é a disciplina de sentar na frente do computador e relatar, narrar, refletir, devanear, esbravejar, importunar… seja lá o que exija alguma espuma de tempo nesse mar de ocupações. Dessa vez, porém, as motivações são de outra ordem e trazem consigo diversos filhotes de expectativas. Eis o fato: em primeiro de março de 2010 viajarei para um estágio de doutorado de cinco meses na Université Paris 7 – Denis Diderot. Após um longo e árduo percurso a viagem se confirmou e, consequentemente, a ideia do blog veio de brinde como uma (clichê, mas eficaz) maneira de compartilhar com os familiares e amigos as minhas experiências na tal Cidade Luz. Mais ainda: “que tal começar logo, relatando todas as desventuras dos cruéis bastidores?” – Penso, logo escrevo. Talvez isso sirva de auxílio para alguma alma perdida nesse imenso purgatório chamado burocracia. Caso contrário, vale o escoamento de ideias como uma tentativa de elaboração.

RETICÊNCIA, como o próprio termo indica, é um espaço (ou uma ausência de espaço?) para inferências, insinuações, dissimulações. Uma forma de expressão que, ao contrário de selar, abre uma janela para a multiplicidade de sentidos…

(…) nesse sentido, pode-se supor uma dificuldade de sistematização dos assuntos aqui (re)tratados, o que certamente causará certa náusea naquele ávido leitor que valoriza a forma e a organização das ideias, sempre penduradas em cabides temáticos.