Algo que está me fazendo falta é assistir a um pouco de TV francesa. Sei que isso ajudará a me habituar com a língua, além de me deixar por dentro dos acontecimentos por aqui. Tendo isso em mente, fiquei sabendo que uma brasileira estava vendendo o aparelho dela por apenas 15 euros (provavelmente porque deve estar retornando ao Brasil). Entrei em contato com ela por email, mas já era tarde demais. A TV havia sido vendida.
Em busca de uma nova solução, tropecei no software Megacubo. Trata-se de um programa que permite assistir várias emissoras do mundo através da internet. Como conexão aqui é boa, o galho está sendo muito bem quebrado. Há por exemplo, um canal chamado “France 24″ que transmite notícias o dia inteiro. Infelizmente ainda não consegui ter acesso a TV 5, mas no site deles tem muitos videos disponibilizados.
De qualquer maneira, hoje começaram as minhas atividades na Paris VII: orientações, aulas e seminários. É uma ótima maneira de treinar o ouvido…
… falando em atividades, vou tirar a semana para visitar algumas bibliotecas.
Andando por aí em busca de uma jaqueta legal pra levar comigo na viagem, resolvi colocar a recém consertada máquina fotográfica na mochila. É uma maneira de começar a me acostumar com essa companhia, já que nunca tive vocação pra fotógrafo. Além da inaptidão, sempre tive um pouco de vergonha e receio de carregar eletrônicos em locais públicos. No mais, com muito esforço, aí estão quatro fotos de pontos conhecidos de São Paulo:

Já peguei o passaporte com o devido visto de estudante. A Capes exige que esse documento seja digitalizado e enviado via web para que a passagem seja finalmente emitida por eles. No aguardo, como sempre…
(…) enquanto escrevo ao som de “Com que roupa”, de Noel Rosa, o céu desaba em águas aqui em São Paulo. O cheiro de chuva traz consigo por um súbito momento o perfume dela - a saudade, então, se faz presente mais uma vez na imagem de uma linda mulher de pele clara e cabelos negros cacheados.
Cá está mais uma vez esse insistente psicólogo que vos escreve tentando manter um blog no ar. Sim, sim, eu sei que o meu problema é a disciplina de sentar na frente do computador e relatar, narrar, refletir, devanear, esbravejar, importunar… seja lá o que exija alguma espuma de tempo nesse mar de ocupações. Dessa vez, porém, as motivações são de outra ordem e trazem consigo diversos filhotes de expectativas. Eis o fato: em primeiro de março de 2010 viajarei para um estágio de doutorado de cinco meses na Université Paris 7 – Denis Diderot. Após um longo e árduo percurso a viagem se confirmou e, consequentemente, a ideia do blog veio de brinde como uma (clichê, mas eficaz) maneira de compartilhar com os familiares e amigos as minhas experiências na tal Cidade Luz. Mais ainda: “que tal começar logo, relatando todas as desventuras dos cruéis bastidores?” – Penso, logo escrevo. Talvez isso sirva de auxílio para alguma alma perdida nesse imenso purgatório chamado burocracia. Caso contrário, vale o escoamento de ideias como uma tentativa de elaboração.