Archive for the ‘ Memórias em trânsito ’ Category

TV online

Algo que está me fazendo falta é assistir a um pouco de TV francesa. Sei que isso ajudará  a me habituar com a língua, além de me deixar por dentro dos acontecimentos por aqui. Tendo isso em mente, fiquei sabendo que uma brasileira estava vendendo o aparelho dela por apenas 15 euros (provavelmente porque deve estar retornando ao Brasil). Entrei em contato com ela por email, mas já era tarde demais. A TV havia sido vendida.

Em busca de uma nova solução, tropecei no software Megacubo. Trata-se de um programa que permite assistir várias emissoras do mundo através da internet. Como conexão aqui é boa, o galho está sendo muito bem quebrado. Há  por exemplo, um canal chamado “France 24″ que transmite notícias o dia inteiro. Infelizmente ainda não consegui ter acesso a TV 5, mas no site deles tem muitos videos disponibilizados.

De qualquer maneira, hoje começaram as minhas atividades na Paris VII: orientações, aulas e seminários. É uma ótima maneira de treinar o ouvido…

… falando em atividades, vou tirar a semana para visitar algumas bibliotecas.

Andando por aí em busca de uma jaqueta legal pra levar comigo na viagem, resolvi colocar a recém consertada máquina fotográfica na mochila. É uma maneira de começar a me acostumar com essa companhia, já que nunca tive vocação pra fotógrafo. Além da inaptidão, sempre tive um pouco de vergonha e receio de carregar eletrônicos em locais públicos. No mais, com muito esforço, aí estão quatro fotos de pontos conhecidos de São Paulo:

Passaporte e visto em mãos

Já peguei o passaporte com o devido visto de estudante. A Capes exige que esse documento seja digitalizado e enviado via web para que a passagem seja finalmente emitida por eles. No aguardo, como sempre…

(…) enquanto escrevo ao som de “Com que roupa”, de Noel Rosa, o céu desaba em águas aqui em São Paulo. O cheiro de chuva traz consigo por um súbito momento o perfume dela -  a saudade, então, se faz presente mais uma vez na imagem de uma linda mulher de pele clara e cabelos negros cacheados.

Doutorado Sanduíche (PDEE)

Toda essa história do estágio de doutorado no exterior, ou ,como a Capes denomina oficialmente, PDEE (Programa de Doutorado com Estágio no Exterior), começou quando ingressei no doutorado em Psicologia no Instituto de Psicologia da USP, em 2008. Como se sabe, esse programa de bolsa oferecido pela Capes visa beneficiar os doutorandos dos programas com notas acima de 4 e que têm a disponibilidade de passar entre 4 e 12 meses fazendo pesquisa fora do Brasil.

No meu caso, como já mencionei no post anterior, passarei 5 meses em Paris estudando na Université Paris VII – Denis Diderot. Aí vai uma primeira dica para quem pretende conseguir um estágio no exterior (um pouco óbvia, mas vale o registro): a escolha do destino depende dos contatos e parcerias teóricas que seu orientador possui. Portanto, se o seu programa de doutorado é contemplado com esse tipo de incentivo da Capes, é interessante conversar antes com o seu orientador acerca dos possíveis pesquisadores no exterior que possam acolher sua pesquisa na respectiva universidade onde eles estão alocados.

(…) pausa para uma cerveja ao som de “Je l’aime a Mourir“, de Francis Cabrel, um cantor francês que descobri durante as minhas intensas e desesperadas tentativas de me habituar com a oralidade francesa (…)

Desde o início do doutorado ficou clara a possibilidade de realizar esse estágio na França. A ideia foi se materializando mais ainda com a chegada da professora francesa na USP para uma conferência. Desse modo, os laços teóricos entre ela e meu orientador se estreitaram e, consequentemente, o estágio já era mencionado como sendo uma etapa certa. Apesar da inevitável empolgação com todos aqueles planos, havia muita coisa a ser transposta. Dentre elas, a principal: a língua francesa. Sendo mais específico ainda: compreender e me expressar em francês! Eu já tinha cursado 1 ano de Aliança Francesa e mais um pouco de aula particular (com foco no vocabulário da psicologia  e interpretação textual) com o objetivo de passar no processo seletivo do doutorado. Confesso que até me entendo com as palavras escritas, mas já com a bendita oralidade… bem, esse é conteúdo para um outro comentário: agora vou me dedicar um pouco mais à cerveja e a Francis Cabrel.

Cá está mais uma vez esse insistente psicólogo que vos escreve tentando manter um blog no ar. Sim, sim, eu sei que o meu problema é a disciplina de sentar na frente do computador e relatar, narrar, refletir, devanear, esbravejar, importunar… seja lá o que exija alguma espuma de tempo nesse mar de ocupações. Dessa vez, porém, as motivações são de outra ordem e trazem consigo diversos filhotes de expectativas. Eis o fato: em primeiro de março de 2010 viajarei para um estágio de doutorado de cinco meses na Université Paris 7 – Denis Diderot. Após um longo e árduo percurso a viagem se confirmou e, consequentemente, a ideia do blog veio de brinde como uma (clichê, mas eficaz) maneira de compartilhar com os familiares e amigos as minhas experiências na tal Cidade Luz. Mais ainda: “que tal começar logo, relatando todas as desventuras dos cruéis bastidores?” – Penso, logo escrevo. Talvez isso sirva de auxílio para alguma alma perdida nesse imenso purgatório chamado burocracia. Caso contrário, vale o escoamento de ideias como uma tentativa de elaboração.